A musica estava alta, o som das vozes ecoava por todos os lados, o lugar, definitivamente lotado, recebia outra festa.
O Pianista tocava com alegria, o largo sorriso e o tom maior das musicas denunciava isto, apesar de que, a esta altura, ele parecia mais bater nas teclas do seu velho piano, se Bartolomeo Cristofori estivesse presente, não iria gostar de ver um piano ser esmurrado. A caneca, ou melhor, balde de bebida, pulava a cada nota, para o homem sentado, de olhar fixo na caneca, ela dançava, ele morreria jurando isto, não morreu, tomou outro gole.
Copos cheios, comida farta, a festa não tinha dia para acabar, mais uma batalha vencida. Sentado à mesa principal estava Ele, rodeado pelas figuras mais importantes da cidade, seu copo estava cheio, seu prato pela metade, tentava não falar, balançava a cabeça, sorria, concordava, mas seus pensamentos não estavam ali, atravessavam as paredes, voltavam para o campo de batalha, mesmo contra sua vontade.
O Garoto não tirava olhos dele, criava coragem, que, a esta altura, já devia esta madura, foi quando se levantou e caminhou em direção dELE.
Sem rodeios perguntou, - Como é estar lá?
Ele desviou o olhar para o garoto, Ele queria falar, precisava, mas ninguém teve coragem de perguntar.
- O campo de batalha é um lugar cheio de almas vazias, a morte esta nos ombros de cada homem, os planejamentos são feitos, táticas decididas, mas tudo se perde no auge da fúria e dor.
- O inimigo não tem piedade, ninguém tem, as almas piedosas estão todas caídas no campo, sim, estão lá neste momento, a dor dos cortes da espada só não é maior do que a angustia de assistir seus amigos, um por um, caírem ao seu lado, não existe o que contar sobre o campo de batalha, a luta trás o que existe de pior nos homens, o ódio.
- Mas guerreiro, disse Garoto - A vitoria não lhe trouxe alegria?
- Ao final da guerra, não existe vitória filho – respondeu Ele - Apenas vivos e mortos, todos perdem, uns mais outros menos.
Garoto ficou incomodado com as palavras dELE, não sabia o que pensar, Ele percebeu isto e apenas disse.
- Garoto, aparta a espada do seu caminho, mas, se algum dia, precisar defender sua honra, torne-se um com ela.